Um adulto atento, clicando com o mouse ao ver uma luz verde, marca tipicamente algo entre 200 e 290 milissegundos. Esse número não é um só evento: é uma soma de etapas, e vale a pena olhar para cada uma.
Onde os milissegundos são gastos
- Transdução na retina (~20–40 ms). A luz precisa virar sinal eletroquímico. Os fotorreceptores não são instantâneos.
- Transmissão e processamento visual (~50–70 ms). O sinal viaja até o córtex visual e é interpretado como "mudou".
- Decisão (~50–100 ms). Reconhecer o estímulo como o gatilho combinado e liberar a ordem motora. É a etapa mais variável — e a que mais sofre com distração.
- Execução motora (~50–80 ms). O comando desce pela medula, o músculo contrai, o dedo desce, o botão fecha o contato.
Reação simples (uma resposta, um estímulo) é sempre mais rápida que reação de escolha, em que você precisa decidir entre alternativas. A relação entre número de opções e tempo de resposta é bem descrita pela lei de Hick, formulada nos anos 1950.
O equipamento entra na conta
Antes de comparar seu número com o de alguém, considere o caminho técnico:
- A tela só atualiza a cada quadro. Em 60 Hz, isso adiciona de 0 a 16,7 ms só de espera pelo próximo desenho, mais o tempo de resposta do painel.
- Mouses variam na taxa de leitura; teclados costumam adicionar alguns milissegundos de detecção.
- O navegador entrega o evento ao JavaScript com um atrasozinho próprio.
Somando tudo, é fácil acumular de 20 a 80 ms que aparecem no resultado como se fossem lentidão sua. Por isso qualquer comparação entre aparelhos diferentes é injusta — o único confronto justo é você contra você mesmo, no mesmo equipamento.
Média, mediana e por que cinco rodadas são poucas
Tempos de reação não se distribuem de forma simétrica: existem muito mais valores anormalmente lentos do que anormalmente rápidos, porque há um piso fisiológico mas não um teto. Uma única distração de 600 ms desloca a média de cinco tentativas em 70 ms. A mediana ignora esse ponto fora da curva, e por isso descreve melhor o seu tempo típico.
Se média e mediana estiverem longe uma da outra, isso é a informação: houve rodada atípica.
O que muda o seu número
Sono ruim, álcool e fadiga pioram consistentemente. Cafeína em dose moderada melhora um pouco. Aquecimento ajuda: as duas primeiras tentativas de qualquer sessão costumam ser as piores. E há uma variação natural ao longo do dia, com desempenho geralmente melhor no meio da tarde do que logo ao acordar.
O que praticamente não muda é o piso: nenhum treino leva um adulto a reagir de forma confiável abaixo de 150 ms a um estímulo visual. Números muito abaixo disso indicam antecipação, não reflexo.
Vale medir: faça as cinco rodadas agora e repita amanhã, no mesmo horário, para ver a sua própria variação.